O problema do Haiti é um problema
crônico! O país conheceu duas colonizações: Espanhola (1492-1625) e Francesa
(1625-1804). De 1791 a
1804 o Haiti fez uma revolução única e sem igual em toda história da
humanidade com uma palavra chave ''liberdade ou a morte'' essa revolução é
única porque era uma revolução contra a ordem mundial naquela época que
era a colonização, escravidão e o racismo na America inteira. A última batalha
pela independência foi realizada em 18 novembro 1803 sobre a liderança de Jean
Jacques Dessalines Le grand aquele que ganhou a maior batalha diante os
francês E o dia primeiro de janeiro 1804 o país tornou primeiro país
negro independente no mundo e segundo atrás dos Estados Unidos na
America.
Então, 1804, é a vitória da
coragem, à vontade, a cegueira, de heroísmo do povo haitiano contra o cálculo
de oportunismo econômico e político dos franceses. Vamos ver a
revolução haitiana criou o caminho pela libertação total de todos os países da
America sob o jugo da colonização, escravidão dos países europeus.
Desde então, o país tornou um
inimigo por todas grandes potências coloniais para ter feito uma ruptura com
esta ordem mundial até no inicio do século XIX, o Haiti sofreu uma ocupação dos
Estados Unidos durante 19 anos (1915-1934) e isso continuo até hoje sobre outra
forma. Por exemplo, o que aconteceu 2004? Tinha um presidente no poder no Haiti
que se chama Jean Bertrand Aristide ele pediu à França a restituição de
uma multa que um presidente pagou pela independência que é uma vergonha quando
agente sabe que o Haiti conseguiu a independência no sangue e no fogo. Ou seja,
ao preço do sangue então não da pra pagar, mas esse idiota Jean Pierre Boyer em
1825 pagou a multa. Por causa disso (restituição) a França, Estados Unidos e
Canadá organizaram um golpe militar mais moderna contra o presidente e mandou
ele na África do Sul na seqüência veio à ocupação do país por as nações unidas
numa comissão que se chama MINUSTAH (Missão das Nações Unidas para Estabilidade
no Haiti) que tem o Brasil na liderança desde 2004 que é uma falta porque não
tinha guerra e essa missão está piorando a situação do povo haitiano porque tem
uma doença (cólera) que veio de um país na Ásia '' Nepal'' que já matou
milhares de haitianos inclusive crianças e muitos casos de estupros foram
repetidos sobre os meninos e meninas!
No Haiti têm problemas sociais
então, agente não precisa um exerço! As imagens que você viu na TV é uma
maneira para justificar a manutenção a presença dessa missão no Haiti
porque tem interesse geopolítico e econômico ao detrimento do povo haitiano que
é um povo lutador, corajoso.
“E quem pacifica a polícia?” - dizia um
cartaz que li dia desses. Não sei. Não sei, pois não há diálogo entre quem
porta uma arma versus quem tem somente a própria boca (ou a maioria das
bocas do mundo!).
Também me pergunto, como uma das músicas da
Frente 3 de Fevereiro, “quem policia a polícia?”. Mas dessa, eu sei a resposta:
todas e todos nós. E, se considerarmos que o mundo se divide entre dominante versus dominado; oprimido versus opressor; quem manda versus
quem obedece; quem tem dinheiro versus quem não tem... Podemos dizer
que há duas versões sobre a atuação policial. Em qual você acredita?
Em nenhum momento que a Globo, a revista Veja
(a mesma coisa, né?!) ou Estado defendem a polícia, o estão fazendo sem algum
interesse. Para a grande mídia (que são empresas), para as grandes empresas
(que patrocinam a grande mídia), para o Estado (que facilita a vida de grandes
empresas) e para empresários (que mandam no Estado), é fundamental fazer com
que todo mundo acredite que o policial é o herói, o mocinho que nos salva de
todo mau, o que não é mentira. Para eles. Os dominantes. Para os que têm
dinheiro e propriedades a serem defendidas (e vendidas e compradas e
leiloadas).
Já diria Facção Central: Isso aqui é uma
guerra. E, além disso, também nos diria que na guerra, o mais
inocente é o favelado de fuzil russo.
Isso porque, enquanto eu escrevo esse texto (e você lê!), milhares de moleques
pegam em seus primeiros revolveres, enquanto ninguém vê. Enquanto ninguém quer
saber se o moleque já comeu, mas se a lei permite que ele seja preso. Enquanto
tudo que importa, é ver o bom policial expulsando mais uma família sem teto
(que é a família do menino...) dum predio qualquer. A polícia que eu conheço
defende a propriedade, não o ser humano.
A
polícia que eu vejo é a que está em guerra, todo dia, contra o povo pobre dos
bairros não nobres e periferias. A polícia que eu conheço é a vilã. Que
enquadra todo pobre que ousa pensar que é livre para andar nas ruas. A polícia
que conheço tem o “suspeito padrão”, o ser humano que será perseguido desde que
nasceu. A polícia que conheço é racista.
De
onde venho, a polícia me faz engolir bandeira e faixa, se resolvo agir, me manifestar ou
fazer parte de movimento social. A polícia bate em 100, 200, 500, se resolvemos
abrir a boca, se cansamos dos enquadros, do racismo... Da fome, da falta de
emprego, da falta de perspectiva, da falta de casa pra morar. A polícia que
conheço taca bomba de gás e bala de borracha em manifestante que, na falta de
tudo, tem esperança de sobra. A polícia que conheço não é povo.
Se
a televisão me diz que a polícia protegeu a esposa do empresário de ser assaltada,
eu digo pra televisão (eu falo sozinha), que nos bairros escuros, aqui de
baixo, o policial estupra a mulher, estupra a menina. Elas não são nem a esposa
nem a filha do empresário. Aqui em baixo a polícia é o demônio, personagem
central nesse inferno.
Até
quando fecharemos nossos olhos? Até quando o inimigo nos convencerá?
Fora polícia! Dos bairros, favelas,
escolas e vidas!
(Texto
dedicado a todas as pessoas mortas pela polícia – que são muitas! - em especial
às dos últimos dias, em que a chacina pulsa diante de nossos olhos)
que aprisiona crianças dentro das escolas
muitas vezes sem professor
7 salas de aula sem ninguém pra lecionar na parte de manhã
aula vaga a cada duas horas
quem é que quer ficar numa dessas escolas?
E quem move uma palha pra fazer algo contra isso?
Contra essa condição precária
do aluno e do professor
que será desse país?
*
Enquanto isso
alguns letrados em sua torre de marfim na academia
hipnotizados pela letargia
se perdem no meio de palavras e verborragia
teorias vazias
com o poder de encher a mente
e esvaziar o coração
esquecem assim que tão no meio de uma guerra e dentro de uma prisão
*
Que será desse país?
Ladrões de colarinho e carro importado
espalhados pelas câmaras e bancadas urbanas e ruralistas
seu trabalho é tramar mais uma empreitada
que vai deixar milhões de pais de família desempregados
sem terra pra plantar
mulheres em sua jornada tripla trabalhando noite e dia
pra bancar o pão amanhecido
criança na rua
sem acesso à cultura,
nem sabe mais o que é brincar porque trabalha feito escravo
nem referência pra crescer e se desenvolver de forma saudável
jovens e velhos caducam dentro de suas casas
entrando no mundo da televisão e da virtualidade
adotando o discurso da grande mídia
mantendo preconceitos medievais que só servem pra manter a situação
*
Tá na hora de acordar
que a casa tá pegando fogo
olhos abertos
percepção aguçada
planeta Terra chamando
clamando por libertação
de mentes, de sonhos e da imaginação
do mundo que queremos
palavra-ação desse sonho sendo feito no presente
suor e resistência,
trabalho e rebeldia,
amor e dignidade
são algumas de nossas armas nessa luta.
Relembrar não é somente viver,
mas sim necessário para que as marcas do passado fiquem na memória ou transitem
de forma errada por meios que não condiz com a verdade... A um dia de se
"comemorar" a consciência do negro no Brasil é necessário analisar
com atenção todos os dias e si e não um em espacial, amanhã simboliza a morte
de um símbolo para toda uma geração, Zumbi do Quilombo de Palmares na Serra da
Barriga hoje União de Palmares no estado de Alagoas, mas se faz necessário
viver 1695 a
todo instante e muitos antes, pois os capitães do mato estão soltos por aê, muitos
Domingos Jorge Velho estão incorporados na sociedade contemporânea e agem como
corruptos mercenários fardados ou engravatados...
Reflita e procure agir,
questione, interrogue o papel e a influencia que a mídia faz na
contextualização histórica do negro no Brasil em elementos que passam por
despercebidos no cotidiano, assim como em jornais, revistas, sites e na
programação da TV, enraíza-se assim a busca por uma identidade em que muitos de
nós ainda não sabemos quem somos e quais são as nossas origens. O nosso ser
vale muito mais do que a cor de nossa pele.
Abaixo cenas do filme “Amistad”
(1997) com narrativa do poema “Navio negreiro” (1868) de Castro Alves, na voz
de Paulo Autran.
As autoridades estadunidenses estão em choque com a passagem do tão esperado furacão Sandy, inclusive o mundo também, com o bombardeiro televisivo que compara os desastres com o atendado as Torres Gêmeas o povo está em estado de calamidade. Até parece que a Sandy passou só por lá, antes os irmãos latinos cubanos, haitianos, jamaicanos também sofreram e ainda sofrem ou melhor sofrerão muito com as conseqüências catastróficas causada pelo furacão, enquanto nesses países se fala em uma gota de esperança pela reconstrução de suas edificações e reconstrução da própria vida, lá na gringa nos USA todos estão apavorados, será que é só em New Yorque que que houve destruição... O poder do furacão vai além das interações entre as massas de ar quente e frio na costa oceânica, ele é também produzido pela mídia que faz com que pensamos que só existe uma ocasião, puro sensacionalismo vendendo o sangue e propagando o terror como bem sabem fazer... Ninguém pode alterar as dinâmicas naturais, furações sempre existiram, mas hoje com a mídia é muito mais sensacionalismo banal do que um evento proporcionado pela natureza.
“Águas da Cabaça” é o novo livro da poetisa Elizandra Souza. Com ilustrações de Salamanda Gonçalves e Renata Felinto, a obra faz parte do projeto ‘Mjiba – Jovens Mulheres Negras em Ação’ e reúne textos de sete mulheres negras em diferentes protagonismos.
“E é nessa cabaça que ela traz sonhos, esperanças e água/vida. Água essa que limpa e leva tudo que não for bom embora. A água que rompe barragens, faz nascer rios, corre para o mar e vira imensidão, o imensurável”, assim diz Mel Adún, em um trecho do prefácio da obra, que ao longo das mais de 130 páginas, faz o leitor deparar-se com a alma pulsante da poesia negra e encanta-se com o concretismo de algumas poesias e com a graça das ilustrações em sincronismo com as letras.
O lançamento acontece na próxima sexta-feira (26) na Ação Educativa na região central de São Paulo (SP) e traz como convidadas a Dj Vivian Marques, que embala a noite poética nas pick-ups. Os convidados contam ainda com o pocket show da cantora Lívia Cruz e apresentação do Ballet Afro Koteban.
O livro é a segunda ação do projeto que foi contemplado pelo VAI-– Valorização de Iniciativas Culturais 2012, da Secretaria de Cultura do Municipal de São Paulo.
Serviço Lançamento “Águas da Cabaça” Quando: 26 de outubro (sexta-feira) das 19h às 22h Onde: Ação Educativa Endereço: Rua General Jardim, 660, Vila Buarque (próximo ao metrô Santa Cecília) Ingresso: Gratuito Informações: (11) 3151-2333 (ramal 142) ou 98251-4024
Sobre as participantes da obra ELIZANDRA SOUZA (MJIBA) Nasceu em 03 de julho de 1983, no Jardim Iporanga, na periferia da Zona Sul de São Paulo. Aos dois anos de idade foi morar na cidade dos seus pais, Nova Soure, Bahia, na qual permaneceu por 11 anos. Retornou a capital paulista em 1996 e nesse mesmo ano conheceu a cultura hip-hop. Editora do Fanzine Mjiba (2001- 2005). Poeta da Cooperifa desde 2004. Publicou o livro de poesias Punga, co-autoria de Akins Kintê, pela Edições Toró, 2007. Participou das antologias Cadernos Negros, Sarau Elo da Corrente, Negrafias e colaborou em outras publicações. Formada em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo pelo Mackenzie. Atualmente é editora e jornalista responsável da Agenda Cultural da Periferia – Ação Educativa.
PARTEIRASSALAMANDA GONÇALVES Ilustradora e designer, formada pela UNIFACS- BA, atua na área há 10 anos e responde pela produção gráfica da Mandingas Comunicação.
RENATA FELINTO Bacharel em Artes plásticas, Mestre e Doutoranda em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP/ SP. É artista plástica, educadora e pesquisadora.
NINA VIEIRA Artista gráfica, arte-educadora e fotógrafa. Desenvolve projetos de identidade visual, concepção de exposições e design editorial. Estudou Design Gráfico, Desenho de Moda e Vestuário.
MEL ADÚN Jornalista e especialista em roteiro para tevê e vídeo, fotógrafa e escritora. Fundadora e idealizadora do programa de webtvTobossis Virando a Mesa – feito por e para mulheres negras.
PRISCILA PRETA Atriz, dançarina e poeta. Como acredita na circularidade é artista educadora. Sua criatividade respira e transpira na CapulanasCia de Arte Negra e Umoja.
CARMEN FAUSTINO Professora de Língua Portuguesa e arte-educadora em projetos sociais. É uma das organizadoras do Sarau da Casa que acontece em escolas públicas de Embu das Artes.
“O homem se apodera e se coloca a frente das máquinas para
realizar a guerra, quantas vidas inocentes são destruídas por essa ambição,
em que o mal impera”.
ESTÃO JOGANDO BOMBA E REPRIMINDO PESADO A FAVELA DO MOINHO NESSE INSTANTE.
BOMBAS DE GÁS, ENQUADROS VIOLENTOS, PESSOAS FERIDAS.
A GUARDA CIVIL METROPOLITANA E OUTRAS POLÍCIAS ESTÃO PARTINDO PARA CIMA DOS
MORADORES, QUE JÁ FORAM VITIMADOS E DESALOJADOS POR 2 INCÊNDIOS CONSECUTIVOS EM
MENOS DE 1 ANO, ESTÃO NA RUA, E NÃO ESTÃO PODENDO RECONSTRUIR SEUS BARRACOS E
SUAS VIDAS.
AÍ: NÓS DO MÃES DE MAIO CONVOCAMOS A TOD@S VERDADEIR@S A SOMAR COM A FAVELA, A
FORTALECER, A DENUNCIAR. MILITANTES, JORNALISTAS, DEFENSORES DE DIREITOS
HUMANOS, JURISTAS, ARTISTAS COMPROMETIDOS ETC.
CLAMAMOS TAMBÉM À FAMÍLIA RACIONAIS MCs E TODO MOVIMENTO HIP-HOP ORGANIZADO,
QUE INCLUSIVE VAI PARTICIPAR DE ATIVIDADE PÚBLICA HOJE, A REFORÇAR ESSE ALERTA
GERAL DE ATENÇÃO E SOLIDARIEDADE AOS MORADORES E MORADORAS DA FAVELA DO MOINHO.
A COMUNIDADE E ÀS CENTENAS DE FAMÍLIA TEM DIREITO AO TETO, À ASSISTÊNCIA E
DIGNIDADE ASSEGURADOS PELA CONSTITUIÇÃO.
CONVOCAMOS A TOD@S VERDADEIR@S A CHEGAREM NA FAVELA, MONITORAREM TODO E
QUALQUER ABUSO E VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS, DENUNCIAR E FORTALECER A
RECONSTRUÇÃO DA COMUNIDADE.
11 DE SETEMBRO DE 1973 INÍCIO DA DITADURA NO CHILE...
Regime Militar é o período da História do Chile compreendido desde o dia 11 de
setembro de 1973, quando os comandantes em chefe das Forças Armadas e o general
diretor de Carabineiros do Chile deram um golpe de Estado e depuseram o governo
do presidente Salvador Allende, até o 11 de março de 1990, quando Augusto
Pinochet entregou o poder ao presidente eleito nas eleições, efetuadas no o
Chile sofreu uma importante transformação econômica, política e social, para a
vez que se cometeram sistemáticas violações aos direitos humanos. Politicamente,
o regime se caracterizou por um modelo autoritário de governo.
Escritores da literatura marginal-periférica sofrem ameaças
e são reprimidos na FLIP 2012, que de grande evento cultural, se transforma a
cada ano na “passarela” da poesia
“Vendo pó! Vendo pó… Vendo pó…esia! Tem papel de 10, papel
de 15, papel de 20, com dedicatória do autor, ainda vivo.” Eram essas frases
que nós, Renan Inquérito e Rodrigo Ciríaco, gritávamos no megafone enquanto
andávamos pelas ruas de Paraty (RJ) na 10ª edição do Festival Literário de
Paraty (Flip), a maior festa literária do país. Megafone numa mão, livros na
outra, e entre curiosos e assustados íamos vendendo nossos livros no maior
estilo guerrilha, indo pra cima do povo, buscando leitor até onde não tinha.
Uns achavam engraçado, interessante, outros nem tanto.
O fato é que estávamos ali representando os escritores
independentes, periféricos desse país, escritores sem editora, que fazem das
ruas seu stand. Enquanto a Flip tinha a sua livraria oficial, a Livraria da
Vila, a gente levou um pouco da nossa livraria oficiosa, a Livraria da Vela:
Fa-Vela!
Logo de início paramos perto de uma ponte, uma via pública
na parte central do evento e começamos a recitar poesias aos que passavam. O
sarau improvisado logo foi batizado de “Sarau da Ponte” – lembranças aos
Maloqueiristas.
Tudo ia bem até o segundo dia, quando um fiscal da
Prefeitura, acompanhado de um policial nos abordou dizendo que era proibido
comercializar livros daquela maneira, estávamos ferindo a Lei Orgânica do
Município, e que era pra gente parar porque se não aquilo ia virar “uma feira”,
além do que, estávamos fazendo apologia às drogas porque dizíamos que vendíamos
PÓ.
Explicamos: “vendemos pó-esia, irmão”. Mas o policial
militar, que se identificou juntamente a fiscais da prefeitura, seguranças e organizadores
do evento, disse que o problemas estava na “interpretação” – ao que retrucamos:
Drummond, homenageado da Flip 2012, escreveu: “No meio do caminho tinha uma
pedra”, ele estava vendendo crack? (Assista ao vídeo “Biqueira Literária”)
Pra evitar um transtorno maior, decidimos circular, fomos
vender os livros em outro lugar, longe dos olhos dos fiscais, mas no outro dia,
lá estávamos na ‘bendita’ ponte, e logo eles chegaram de novo, dessa vez com
reforços, até porque estávamos armados com livros de alto calibre:
#PoucasPalavras, Te Pego Lá Fora, Pode Pá Que é Nóis que Tá, 100 Mágoas, nossos
trabalhos, considerados por eles drogas de alta teor de intoxicação e
periculosidade.
Ameaçaram apreender os livros caso não saíssemos do local e
ainda ameaçaram nos enquadrar por desacato à autoridade, disseram que não
tínhamos alvará de “funcionamento” – nós questionamos: desde quando um
escritor, detentor dos direitos autorais do seu livro, estando em uma festa
literária, com um produto cultural, em via pública precisa de “alvará” para
trabalhar?
Ainda mais se tratando de um país que tem, em todo o seu
território nacional, menos livrarias funcionando do que apenas uma única
cidade, como Buenos Aires na Argentina! Nós deveríamos receber apoio, incentivo
e não ameaças, repressão, sermos constrangidos!
Para resumir: na maior festa literária do país, a prefeitura
de Paraty (RJ), a polícia do Rio de Janeiro, os organizadores da Flip 2012,
agiram como sempre fizeram: ignorando os escritores marginais, independentes e
suas respectivas manifestações, expressões artísticas que aconteciam nas ruas,
legitimando apenas a literatura passiva, ‘official’, dos stands, das grandes
editoras, em um evento onde pagava-se R$ 40 para assistir os debates, em uma
festa financiada por uma lei de incentivo à cultura e patrocinada por um banco
que quer pintar a cidade toda de laranja.
Liberdade de expressão, direito de ir e vir: ZERO! Quer
saber? Se formos seguir a letra da lei, quem não tem alvará são eles! Eles que
não tem alvará para nos entupir apenas com livros da chamada “literatura
oficial”, com marcadores de páginas cheios de logomarcas famosas muitas vezes
financiadas com recursos públicos. Interferindo e alterando totalmente a
configuração da cidade, tombada pelo Patrimônio Histórico da Humanidade.
Será que a Flip pediu alvará de funcionamento para os índios
e quilombolas que vivem em Paraty antes mesmo da chegada do homem branco? Não
vi nenhum estande pros índios e quilombolas venderem seus artesanatos, estes
ficavam no chão, no meio da rua se quisessem. E pudessem, já que a repressão
dos fiscais, também atingia a eles, algumas vezes.
A passarela da poesia, a “Paraty Fashion Week”, parecia mais
uma verdadeira balada literária – perdoe-nos o trocadilho, Marcelino Freire -,
e nós, os escritores marginais, periféricos, independentes, fomos lá pra
preservar o patrimônio histórico do povo brasileiro, o inconformismo e a
coragem que ainda nos dá uma ponta de esperança. Mas como diriam os Racionais
MCs: “Nossos motivos pra lutar ainda são os mesmos”.
Todos os artistas de rua, poetas e escritores frequentadores
das quebradas dos saraus, da literatura marginal, independente, viva, da
cultura periférica fazem muito, muito mais para a diversidade e riqueza de
nossa cultura, do que muitos bancos privados, prefeituras vendidas e polícias
repressivas. Não precisamos de autorização nem de alvará para o nosso
funcionamento. A nossa cultura é livre. E as ruas pedem livros!
*RenanInquérito é músico, poeta, educador, geógrafo e integrante do grupo de rap
Inquérito; Rodrigo Ciríaco é educador, escritor, integrante do coletivo
cultural Os Mesquiteiros.
E que o “progresso” pra cidade não venha somente através de aquisições
de hotéis, centros de treinamentos, shoppings centers, mas com melhorias na
educação, saúde e transporte público... Acorda Araraquara é ano de eleição e os
porcos estão à solta!
FIFA confirma Araraquara na Copa 2014
Cidade foi anunciada como subsede do Mundial de 2014, que
será realizado no Brasil
Araraquara foi confirmada como uma das cidades escolhidas
pela FIFA para ser subsede da Copa do Mundo de 2014, que será realizada no
Brasil. O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira (1), durante um
encontro com representantes do comitê e do Governo do Estado, em São Paulo.
Foram 32 subsedes em todo o país – 19 delas no Estado de São
Paulo. A lista inicial tinha mais de 100 cidades. A confirmação deve acelerar
uma série de investimentos na cidade, uma vez que o município passa a integrar
o livro oficial da Fifa e fica à disposição das seleções. “Portugal, Arábia
Saudita e Japão já demonstraram interesse em conhecer Araraquara para a
realização da pré-temporada na cidade”, afirmou o prefeito Marcelo Barbieri.
Dentre os fatores que pesaram favoravelmente estaria a
localização e o complexo esportivo que a cidade dispõe, como a Arena da Fonte,
o Centro de Treinamento do Pinheirinho, além da rede hoteleira. “Araraquara é a
única cidade da região central credenciada agora pela Fifa”, completou o
prefeito, que afirmou ainda que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, já
confirmou a liberação de investimentos para o município. "É preciso
melhorar ainda mais o Centro de Treinamento. O governador também se mostrou
disposto a liberar recursos para a construção da Marginal das Cruzes”.
Salve rapaziada do blog, segue abaixo uma matéria de Alessandro Buzo para o SPTV com o grande guerreiro das palavras, professor e amigo Rodrigo Ciríaco sobre o projeto Sarau dos Mesquiteiros.
Rodrigo Ciríaco é autor dos livros:
Autor: Rodrigo Ciríaco, Edições Um por Todos, Outubro de
2011 - Periferias de São Paulo, SP - Brasil - R$ 20,00
Primeiro livro de autoria própria, versa contos sobre o
cotidiano de uma escola pública na periferia de São Paulo. Edições Toró, Junho
de 2008 - 3a TIRAGEM - R$ 15,00
Você conhece Luiz Alberto Mendes? Ele passou mais de 30 anos
na prisão e é autor de três livros, o Memórias de um Sobrevivente, lançado em
2001 pela Companhia das Letras; Tesão e Prazer: Memórias Eróticas de um
Prisioneiro, lançado em 2004 pela editora Geração e Às Cegas, também
lançado pela editora Companhia das Letras em 2005. Assista a entrevista e se
emocione com esta grande história de superação.
Matheus Vieira - Qual o prazer que você sente, Ignácio, por
trabalhar com as letras?
Ignácio Loyola Brandão - Um prazer sensual. Além daquele prazer que todos
conhecemos (coitados dos que não conhecem) existe o de soltar a fantasia,
inventar mundos e pessoas, criar paixões, furacões, gente boa e ruim, megeras,
santas, virgens ou não. O escritor tem poder. Poder de transitar por onde quer,
dentro de sua imaginação.
Matheus Vieira - Qual é a realidade do mercado brasileiro
para os escritores?
Loyola - Igual ao de 20, 30, ou mesmo 50 anos atrás. Apenas meia dúzia
consegue sobreviver da venda de livros. Os outros têm um oficio paralelo que garante
a "sobrevivência". Mas escrevemos pela paixão e pelo sonho, pela
compulsão e necessidade. Tem quem queira escrever por delírio, mas este
precisaria descobrir a fórmula do sucesso. E esta não existe. É aleatória,
imponderável.
Matheus Vieira - E quais são as suas inspirações na hora de
escrever, Ignácio?
Loyola - Inspirações? A realidade à minha volta. O mundo, as pessoas, a
minha constante observação, o caderninho de anotações, as conversas, a
intuição, o sexto sentido, o olhar agudo, penetrante, a busca incessante.
Matheus Vieira - Algum autor de Araraquara?
Loyola - Não, nenhum autor de Araraquara me inspirou.
Matheus Vieira - Que conselho você dá para aqueles
aspirantes a escritores, que sonham em viver dessa arte?
Loyola - Escrever, escrever, escrever, ler, ler, ler. E em lugar de pensar
em sucesso e dinheiro e fama, pensar em escrever boas histórias, bons romances.
Colocar como meta ser o maior de todos e lutar para isso. Estou cansado desses
jovens (e não jovens) que me procuram dizendo: quero ser escritor e ficar famoso.
Digo: desista. Outro veio e perguntou: Como se faz uma tarde de autógrafos?
Expliquei o mecanismo. Simples: livro, livraria, autor e convidados. E ele:
Quantos livros preciso vender na tarde de autógrafos? Depende de quantas
pessoas apareçam. Em seguida: E como faço para editar um livro? Expliquei e
perguntei: Está pronto o livro? O que é? Romance, conto, crônica? E ele: Ainda
não escrevi, estou me informando, por enquanto.
Matheus Vieira - Atualmente, o senhor está trabalhando em
alguma obra?
Loyola - De uma conversa com Sandra Lapeiz, da Fundação Carlos Chagas,
coordenadora do programa nacional Livros Para Todos, que vai este ano levar
bibliotecas para mais de 50 cidades brasileiras, surgiu a idéia de fazer uma
série de textos em cima das músicas que me seguiram ao longo da vida e me marcaram.
O livro ficou pronto. Imagens de Araraquara e de São Paulo, de Cuba, de Roma,
contos, crônicas, memórias. Um livro indefinível. Gosto de gêneros sem
definição. O livro terá imagens de Paulo Melo Jr. e um CD com todas as canções
citadas, cantado por Rita Gullo. Título: "Solidão no Fundo da
Agulha". O título é tirado de um poema de Viviane Mosé, poeta, educador e
cronista.
Parceria entre os MC's André (ETC...), Maurício e Dé (Mentes
Urbanas DCI) na produção da música "Enigma da Vida" que estará no
novo projeto do grupo ETC... - A Fusão previsto para o final de 2012.
Imagens: Maurício e Dé
Instrumental: André
Estúdio: Doctor Áudio - Araraquara-SP
A partir de agora, para já apenas nos Estados Unidos, está
disponível um teste rápido doméstico de detecção do vírus da imunodeficiência
humana (HIV). Este teste, que não necessita de receita médica, foi ontem
aprovado pela Agência do Medicamento dos Estados Unidos (FDA).
“Autorizamos o seu uso doméstico já que, para a própria
pessoa, conhecer o seu estado de saúde é um factor essencial no momento de
prevenir a doença. Saber é o primeiro passo para combater”, esclarece, em
comunicado, Karen Midthun, directora do centro da FDA para a Avaliação e
Investigação Biológica.
O teste, concebido para detectar a presença de anticorpos do
tipo HIV-1 e HIV-2, consiste na recolha de saliva das gengivas superiores e
inferiores. O resultado é obtido em apenas 20 minutos, informa a FDA.
Há dois meses que um comité de especialistas avaliava o seu
uso doméstico, que já se realiza em hospitais ou centros ambulatórios. O teste
está desenhado para permitir que qualquer pessoa o possa fazer em casa. Mas
devem ter-se em conta vários pontos, adverte a agência.
Mesmo que o resultado dê positivo, devem fazer-se análises
adicionais num centro médico. O mesmo se aplica para o caso de dar negativo,
principalmente se a possível exposição ao vírus aconteceu há menos de três
meses.
Os estudos clínicos demonstraram que o teste, chamado
OraQuick, detecta correctamente a presença de infecção em 92 por cento dos
casos. No entanto, é eficaz em mais de 99 por cento dos casos negativos.
A empresa OraSure Technologies, que desenvolveu o
dispositivo, contará com um centro de informação e apoio durante 24 horas por
dia, serviço que oferecerá instruções sobre como utilizar correctamente o
teste.
Nos Estados Unidos estima-se que estejam infectadas com o
vírus 1,2 milhões de pessoas, sendo que 20 por cento não o sabe, segundo os
dados do Centro de Prevenção de Doenças (Center for Disease Control and
Prevention - CDC). Por ano, aparecem 50 mil novos casos e em 2010
faleceram 13 mil pessoas de sida.
O comunicado da FDA não menciona qual será o preço de venda ao
público. No entanto, os profissionais de saúde já o podiam adquirir por 17,50
dólares (aproximadamente 14 euros).
Estou lendo no momento o livro: "RAP educação, RAP é educação" (Editora: Summus - SELO NEGRO edições) com organização de Elaine Nunes de Andrade. O livro é 1999 momento em que a música RAP explodiu no Brasil, tanto na mídia quando na boca dos talarico, na contra mão das produções acadêmicas a autora reuniu um time de corajosos intelectuais para abordar o tema de forma séria e precisa reconhecendo o trampo que o RAP realiza nas periferias frente a auto-estima e a conscientização dos jovens excluídos, que desde os guetos jamaicanos desperta o senso crítico e provoca a busca pela identidade e cada cidadão. Já fui muito crítico em relação dos acadêmicos escreverem sobre RAP e Hip-Hop ainda continuo sendo pois há muitos aproveitedores, mas existe muita gente boa nesse universo no qual atualmente também estou inserido.
"Mulheres no RAP", uma ótima reportagem feita pelos alunos do curso de jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi que aborda o momento atual do RAP feito por mulheres no Brasil, quebrando preconceitos, machismos e trabalhando para expressar seus sentimentos. Com participação de Rubia (RPW), Flora Matos e Lurdes da Luz. Muito bommm.
Nesta quinta-feira o Governador Geraldo Alckmin anunciou o aumento no preço dos pedágios nas Rodovias de SP (que por sinal já são bem cara$). Com o IPI lá em baixo paga-se caro para circular com as gaiolas ambulantes. Não sei não, do jeito que está é melhor ficar em casa. O transporte coletivo em várias cidade do interior estão com valores próximos com o da capital (Sorocaba R$ 3,15 / Campinas R$ 3,00 / Araraquara - R$ 2,70), trens e metros super lotados e com pouca malha férrea.
Bom, pra dar um rolê tá embaçado agora é treta pra quem precisa dar um trampo.
PSDB 17 anos de ditadura, vamos acordar rapaziada pois é ano de eleição...
CLIQUE AQUI para ter acesso a tabela com os novos valores dos pedágios
Alpinista sem pernas chega ao topo do monte Kilimanjaro e
levanta fundos para a caridade
Quando pensar no termo "impossível", lembre-se de Spencer West.
No último dia 12, ele começou o maior desafio de sua vida: escalar uma das mais
difíceis montanhas do mundo, o Monte Kilimanjaro, ponto mais alto da África. O
mais impressionante? Ele faria isso sem as duas pernas. O alpinista perdeu os
dois membros inferiores quando tinha cinco anos de idade por conta de um
defeito genético. Mas se recusou a aceitar as limitações e venceu obstáculos
cada vez maiores em sua vida.
No último dia 19, apenas sete dias depois de começar a
subida, Spencer e seu time chegaram ao teto africano, 5.895 metros acima do
nível do mar. Subindo sozinho por mais de 80% do caminho usando apenas seus
braços, o alpinista surpreendeu o mundo e atingiu o cume do Kilimanjaro. E o
melhor: fez isso em nome da caridade.
Todo o dinheiro arrecadado com a expedição será repassado
por West para a instituição sem fins lucrativos Free The Children, que
cuida de crianças carentes em todo o continente africano. Toda a missão foi
financiada através de crowdfunding, totalizando quase US$ 500 mil em
doações. Mesmo depois da chegada ao topo, as doações no site de West ainda
estão abertas.
Eduardo é um líder revolucionário dos tempos modernos. Por
onde passa arrasta uma multidão sedenta para ouvir suas ideias. Contundente em
suas opiniões, não economiza palavras para descrever todo o asco que sente com
a discrepância na divisão de renda da sociedade brasileira. Depois de lançar
sete discos com o Facção Central, Eduardo se prepara para armar seus seguidores
com outra munição, tão letal quanto suas letras de rap.
A nova munição de Eduardo é um livro que trata sobre
diversos temas ligados as condições sociais do Brasil. Há alguns anos o rapper
dedica parte de seus dias para escrever este trabalho. Se antes o público que
acompanha Eduardo já se surpreendia com a diversidade de argumentos utilizados
nas letras de rap, agora vai ter ainda mais conteúdo para suprir as lacunas
deixadas pela educação deficiente que é oferecida nas escolas.
Eduardo nasceu e foi criado no Grajaú, Zona Sul de São
Paulo/SP e estudou apenas até a 5ª série. Quando começou a escrever letras de
rap, sentiu necessidade de ampliar seu conhecimento para poder transformar sua
indignação em rima. Eduardo construiu sua formação intelectual através
dos livros e então surgiu o desafio dele mesmo escrever um livro e incentivar
seu povo à leitura.
O livro de Eduardo é uma obra muito esperada pelo público do
hip-hop brasileiro e será leitura obrigatória para todo morador de periferia
que quiser compreender como opressor age para manter o povo em condições sub-humanas.
*O texto acima foi retirado da Revista Rap Nacional nº 1,
que traz ainda um trecho deste novo trabalho de Eduardo e também uma
entrevista exclusiva com o rapper e autor.
Filha de um artista plástico morto em um campo de
concentração, Alice nasceu em Colônia, em 1920, e migrou para o Brasil em 1934
com sua mãe, para escapar do nazismo. Decidida a abraçar o ofício paterno, já
em 1940 passou a frequentar o Grupo Santa Helena, associação informal de
pintores que frequentavam ateliês no Edifício da Sé, em São Paulo, conhecido
como “Palacete Santa Helena”. Seus mestres foram Paulo Rossi Ozir, Aldo
Bonadei, Yolanda Mohaly, Poty e Hansen Bahia, que a influenciam a trabalhar com
pintura a óleo.
Em 1946, ganha uma bolsa de estudos e até 1947 faz uma série
de cursos na University of New Mexico, em Albuquerque, e na Art Student’s
League de Nova York, ambas nos Estados Unidos. Estuda desenho, pintura,
escultura, gravura, história da arte, literatura, filosofia e tem seu primeiro
contato com a fotografia. Já de volta ao Brasil, começa a trabalhar como
fotógrafa da revista Habitat, para a qual realiza reportagens sobre
arquitetura e artes plásticas.
Sua longa carreira resultou em mais de cem exposições
individuais e coletivas, entre elas a I Bienal de São Paulo, em 1949. Foi
fundadora do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), do Clube dos Artistas
e Amigos da Arte de São Paulo e da Associação Brasileira de Pesquisadores em
Arte. Em 1975 se formou em Filosofia pela PUC-SP e posteriormente fez mestrado
e doutorado em Estética na USP. Publicou três livros: Mário Zanini e seu tempo (Ed.
Perspectiva, 1984), Da arte e da linguagem (Ed. Perspectiva, 1988) e Flexor (1990),
além do capítulo sobre artes plásticas do livro O expressionismo (org.
Jacó Guinsburg, Ed. Perspectiva, 2002).
Do que um homem mais carece para viver? Meios para se
alimentar? Ambiente favorável à sua proliferação? Defesas contra as demais
espécies? Vestuário, moradia para se proteger das intempéries? Capacidade de
raciocinar, sentir e memorizar?
Não. Apesar de precisar disso tudo também. E tudo isso se desenvolve e acontece
na espécie humana a partir do que ela mais carece. O que pode ser então?
O homem precisa do outro homem para viver e projetar seu futuro. Carecemos do
bando, como muitas outras espécies. A dos chipanzés, por exemplo. Sozinhos
somos presas fáceis, sem muitas defesas, facilmente extinguíveis. Unidos
produzimos alimentação e abrigo. Aprendemos a sentir, disciplinamos o
raciocínio, prevenimos acidentes, colecionamos memórias e passamos às próximas
gerações. Juntos construímos defesas e vencemos tudo que possa nos ameaçar.
Principalmente, planejamos o futuro.
Viver não é enganar o medo de morrer com distrações extremas. Equilibramo-nos
pendurados em finos fios de seda para viver o melhor que podemos. Seria um
desperdício.