terça-feira, 8 de novembro de 2011

O HOMOSSEXUALISMO E A PRISÃO por Luiz Mendes (Memórias de um sobrevivente)

Homossexualismo

Como todo garoto de minha geração, educado com valores machistas, fui levado a descriminar homossexuais. Aos onze anos de idade fugi de casa e então fui conhecê-los realmente. Pareciam mais marginalizados que eu. O meio marginal em que convivíamos me acolhia como mais um par. A eles esmagava.
Há esse tempo homossexual era somente o elemento passivo da relação. Era aceitável usá-los. Não era nada fácil a qualquer rapaz satisfazer suas necessidades sexuais. As garotas casavam virgens.
Havia um imenso quadrilátero no centro de São Paulo, chamado de “Boca do Lixo”, onde a prostituição imperava. As ruas, as casas, os bares e até prédios inteiros cheios de mulheres que se vendiam, e barato. Muitas delas coitadas que haviam sido seduzidas. Era vergonha uma moça solteira sem virgindade na família. Aquelas que tinham família bem de vida, eram mandadas para colégios internos. As que não tinham: a zona do meretrício. Os “fregueses” davam trombada nas esquinas devorando as garotas com os olhos.
Àqueles que não possuíam dinheiro sobrava ir para a Av. Ipiranga ou Praça da República. Lá havia as “meninas de trança”. Passeavam por ali até serem abordados por algum homossexual. O elemento passivo pagava pelos “favores” do ativo. Os rapazes vinham dos bairros para “pegar” “veado”. Era meio de vida. As pessoas ainda estavam dentro de seus armários.
A sociedade de então era um fundo onde se organizava um mosaico de pessoas que procuravam seus iguais. As idéias de diversidade e a multiplicidade sexual começam bem ai, no fim dos anos 60 e início dos anos 70.
Quando cheguei na prisão, a “bicha” era discriminada, tratada com subumano, mas aceito como componente. Não havia visita íntima. Era a única saída. Os mais afoitos pegavam na forçada rapazes novos que chegavam. Estupros ocorriam diariamente. Era preciso virar bicho para não ser vítima de bicho. Cheguei ao cúmulo de matar para não ser estuprado. Quase perdi a vida para defender meu corpo.
As “meninas” foram as primeiras pessoas que me ajudaram quando garoto perdido na cidade. Vestiram e alimentaram muitas vezes. Claro, queriam a contrapartida. Mas não me oprimiam. Tentavam seduzir e me favoreciam bastante. Há esse tempo já havia me tornado um animalzinho mau e ingrato. Eu os roubei e usei quanto pude. Conhecia suas fragilidades. Tornaram-se presas fáceis para o predador que me tornei.
Hoje na prisão, é homossexual quem quer. Ninguém é obrigado. Mesmo por isso existe discriminação. A vida nas prisões exige firmeza de atitudes e combatividade. O preconceito é vinculado à fragilidade que se pressupõe existente no homossexual. Quem cede, para o preso, é fraco. Portanto, não confiável. Eles não podem participar de nenhuma decisão, nenhum debate e nem saber de nada. Cumprem duas prisões. Condenados que são por seus crimes e agora pelas suas definições sexuais.    
Por conta dos preconceitos prisionais, eles são obrigados a viver isolados. Seus pratos, copos e colheres são separados. Não podem fumar do mesmo cigarro ou do baseado que os outros. Isso quando não são obrigados a viver em setor isolado chamado de “seguro de vida”. Claro que há mais respeito atualmente e não é mais possível abusar deles fisicamente. Covardias e patifarias grosseiras não são mais aceitáveis na prisão.
O preconceito de agora atinge os parceiros ativos. Também eles estão sendo descriminados e têm suas tralhas separadas. Esse disfarce de “ativo” ou “passivo” vai desaparecendo. Homossexual é a pessoa que se define, sexualmente, por gostar de outras pessoas de seu mesmo sexo. E, pelo que estou sabendo, eles assumem e levam vida de casal com seus parceiros numa boa. Já vi companheiros abandonarem mãe, mulher e filhos, por causa de um amor na prisão.    
Ao iniciar minha caminhada no mundo dos livros, já conhecia bastante sobre homossexuais. E ao ler o livro “As Meninas” de Lígia Fagundes Telles, encontrei a definição que me orientou para sempre. Ela afirma, pela boca de um personagem, que nesse mundo conturbado as relações amorosas são tão complexas e difíceis, que se tornaram quase impossível. Então, quando duas pessoas se querem de verdade, o que menos importa é o sexo com que cada uma delas nasceu.
Creio devemos aplaudir as pessoas que se amam e torcer para que nós também tenhamos essa sorte. Que se danem os preconceitos; eles ficarão e a história há de continuar sua evolução e progresso.

01/10/2011
Acesse: http://revistatrip.uol.com.br/blogs/mundolivre

sábado, 5 de novembro de 2011

APESAR DE VOCÊ por MC Maurício inspirado pela canção...

Estudantes da USP em protesto contra a PM Foto: Lalo de Almeida

MÚSICA: Apesar De Você

Amanhã vai ser outro dia

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão

...

Inspirado pela canção de Chico Buarque deixo esse manifesto, há algum dias conversando entre meus colegas, levantei um comentário:

- Estourará uma revolução no Brasil de tamanha magnitude, que muitos ficarão surpresos, estudantes, professores, funcionários públicos, terceirizados, homossexuais, negros, pobres e até militares não agüentarão mais as torturas do capitalismo.

Bom, poucos deram importância e até debocharam.

- Ce tá viajando em negão!

Hoje será mais um dia pra que a revolução tenha seu fortalecimento, cito com ênfase a luta dos estudantes da USP contra a polícia militar no campus. Por quê? Por que é muito simples, a polícia no campus age como um espião para contra qualquer mobilização das verdadeiras cabeças pensantes da sociedade, a polícia não deve estar lá, com essa forma de repressão não será possível promover greves, protestos e discussões.
Quando os professores ocupam a Avenida Paulista pelo reajuste salarial, quando os estudantes formam um front pela redução do transporte coletivo, quando o movimento negro realiza suas atividades pelas igualdades sociais, lá estão os “ratos cinza” com bombas de gás, cassetetes, cavalaria, cães e armas de fogo em punho, defendendo o patrimônio burguês que assola o nosso país.

Toda a força aos estudantes em manifesto!

ACORDA RAPAZIADA VAMOS LUTAR PELO O QUE É NOSSO DE DIREITO!!!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

IRRESPONSÁVEIS!!!


Foto: Moisés Schini/Tribuna de Imprensa

Esse tipo de prática é um crime contra a cultura musical e popular, os (i)responsáveis por essa atitude devem ser punidos, muitos nem sabem o que existe nesses materiais. IMPRUDENTES e IMORAIS!!!

Muito triste...

Discos do Museu da Imagem e Som são jogados no ‘lixão’ 11/04/2011

Os discos de baquelite e vinis deixados no estacionamento da Casa da Cultura de Araraquara entre terça e quarta-feira foram encontrados na tarde de ontem no aterro sanitário da cidade. O material foi descartado pela Casa da Cultura após dedetização do Museu de Imagem e Som (MIS). 

Embora muitos discos estivessem quebrados e outros danificados por cupins, a reportagem da Tribuna constatou que parte do material estava em bom estado e até mesmo intacto. Discos de Carlos Gardel, Doris Day, Francisco Alves, Maria Callas, Elvis Presley e raridades italianas de 1943 foram encontrados no lixo. 

Trabalhadores do aterro disseram que o material foi recolhido na Casa da Cultura. A secretária de Cultura, Euzânia Andrade, não soube dizer como o material em bom estado foi levado da Casa da Cultura para o lixão. "O que foi descartado estava comprometido, mas vamos averiguar o fato", garantiu. 

A seleção dos discos prejudicados foi feita no feriado de Finados. As obras ficaram em uma área externa da Casa da Cultura para não atrapalhar a limpeza do MIS. "Deixamos os discos cobertos no estacionamento para avaliarmos o estado de conservação deles", afirma a gerente pedagógico-cultural dos museus, Virgínia Fratucci. 

Ela garante que a Casa da Cultura tem autonomia para descartar o que está prejudicado. "Foi uma pré-decisão feita com muito discernimento." E reforça que o material danificado foi doado desta maneira e não chegou a este estado por má conservação. Detalhe: alguns álbuns têm o selo da Biblioteca Mário de Andrade.
‘Patrimônio histórico não tem volta’
Para a ex-coordenadora do Museu de Imagem e Som (MIS), Tereza Tellarolli, a cada descarte de acervo uma comissão com três pessoas deve ser montada para avaliar o material. ‘Patrimônio histórico não tem volta, por isso é preciso cuidado na hora de descartar qualquer coisa’, afirma. Segundo ela, a decisão, para ser pertinente, deve passar por uma equipe técnica com conhecimento do que está sendo analisado. ‘É normal na esfera pública haver condições menores que as ideais para a Cultura — isso é um fenômeno geral em qualquer lugar —, mas é preciso ter preparo para saber o que está sendo decidido’, reforça.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

ANDRÉ (ETC...) MANDA O RECADO!!!




Salve RAPA, dia 16 de Outubro (próximo domingo) Lançamento do CD Coletânea "Araraquara Solta a Voz" com 10 Grupos da cidade e 2 Grupos convidados de São Carlos e Américo Brasiliense, no Teatro Municipal da cidade de Araraquara na Bento de Abreu na Fonte, vamos comparecer e vamos prestigiar, o RAP precisa de vocês "PÚBLICO" pra começar o Resgate no Movimento!!!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

CENAS DO "NOSSO" BRASIL: Light confirma interesse em Belo Monte


Desde as navegações no século 16, as coisas nunca mudam, sempre é o capital estrangeiro estuprando os recursos naturais de outras nações e hoje com os países subdesenvolvidos, ignoram-se as questões ambientais, sociais e culturais, para se obter lucros exorbitantes, eliminando qualquer tentativa de progresso a favor (a princípio do Brasil) desses países. Enquanto isso ocorrer, o “poder” que fica nas mãos das empreiteiras e do capital externo nosso país nunca terá uma cidadania digna de reconhecermos os direitos a nosso favor (se é que existam). por Maurício (Mentes Urbanas DCI)



Em quarta-feira 5/10/2011, às 15:34
O presidente da Light, Jerson Kelman, confirmou hoje o interesse da companhia em participar do capital acionário do consórcio da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, projeto superior a R$ 20 bilhões. Ele não quis comentar, no entanto, de que forma se daria a entrada no capital. "Estudamos. Estamos estudando a possibilidade. É tudo o que eu posso dizer no momento", disse em rápida entrevista durante intervalo do Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase).
Os rumores de que a Light e também a Cemig assumiriam 10% do consórcio de Belo Monte já se arrastam há alguns meses e ganharam força nesta semana. As duas elétricas ficariam com os 10% que hoje estão nas mãos de empreiteiras, que deixarão a usina e passarão apenas a prestar serviços de construção do projeto.
Segundo os rumores, a Light ficaria com a parte que hoje cabe às construtoras Galvão Engenharia, Contern, Cetenco, Serveng, J.Malucelli e Mendes Junior. Juntas, elas detêm 7,5% do consórcio. Desse porcentual, 5% ficariam com a distribuidora fluminense e 2,5% seriam absorvidos pelo fundo de pensão dos funcionários da Caixa (Funcef). Já a Cemig, principal acionista da Light e controlada pela Andrade Gutierrez, que detém 33% de Belo Monte, levaria os 5% que estão nas mãos da OAS e da Queiroz Galvão.
Retirado do site: http://br.finance.yahoo.com/noticias/Light-confirma-interesse-Belo-estado-1505671570.html?x=0

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

UM POUCO DE MANDELA!



Se você falar com um homem numa linguagem que ele compreende, isso entra na cabeça dele. Se você falar com ele em sua própria liguagem, você atinge seu coração."
Nascemos para manifestar 
a glória do Universo que está dentro de nós. 
Não está apenas em um de nós: está em todos nós. 
E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, 
inconscientemente damos às outras pessoas 
permissão para fazer o mesmo. 
E conforme nos libertamos do nosso medo, 
nossa presença, automaticamente, libera os outros.

Devemos promover a coragem onde há medo , promover o acordo onde existe conflito, e inspirar esperança onde há desespero.

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar."

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O BRASIL E SUAS CONTRADIÇÕES...

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprova R$ 400 milhões de reais para a reforma do Estádio do Mineirão em Belo Horizonte, que será sede da Copa do Mundo de 2014.

ENQUANTO ISSO...

Professores da rede do ensino do estado de Minas Gerais protestam pelas ruas de Belo Horizonte contra o pagamento mensal de seu salário de R$ 369,00 reais (mais as gratificações) e por melhores condições na educação pública.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

PRODUÇÃO LITERARIA NAS PERIFERIAS DO BRASIL É FOGO NO PAVIO! Por Maurício (Mentes urbanas DCI)

Já faz um tempo que estou acompanhando a arte construída nas periferias do Brasil, e a literatura não está de fora dessa forma de expressar os sentimentos. Há tempos através da extinta revista Rap Brasil já era possível encontrarmos as publicações dos autores periféricos, trazendo a identidade que tanto buscamos, desde quando fomos arrancados dos braços da nossa mãe África. Sérgio Vaz, Buzo, Ferréz, Luiz Mendes, Sacolinha, Preto Ghóez já nós faziam encontrar os caminhos para realmente sabermos quem somos, através de seus versos, contos e crônicas...
Sem dúvida hoje a periferia fala, canta, grita e escreve se espalhando pelos Saraus que movimentam todas as gerações marginalizadas, que a cada mês são lançados livros e livros, com a nossa cara, muito longe dos padrões acadêmicos (os quais disputam prêmios de status na mídia), pois a produção literária nas periferias brasileiras tem o seu prêmio maior, fazer com que todos são livres pra se expressar e buscar a sua identidade.

EMBRIAGUEZ, INJUSTIÇA E MORTE NO TRÂNSITO DE ARARAQUARA por Dé (Mentes Urbanas DCI)


João Pedro Bellinatti, filho de um dos donos da On-Off em Araraquara-SP, casa noturna de balada, que é freqüentada por pessoas de alto poder aquisitivo; há cerca de dois meses, estava embriagado , com seu Golf, quando atravessou um cruzamento, próximo a panificadora Pão da Terra, não obedecendo a sinalização de parada obrigatória, atingindo violentamente uma mota 125cc.
Na moto estavam um senhor, que levava sua esposa, que era guarda municipal.
O jovem irresponsável, baseado na lei, que não o obrigada a fazer o exame de bafômetro, se negou a soprar o bafômetro.
O senhor ficou bastante machucado, mas está fora de perigo; já a senhora ficou em coma, vindo a falecer uma semana depois. E agora? O que aconteceu a este jovem? Nada, simplesmente nada, no outro dia foi à casa de praia que possui pra esperar a poeira baixar.
Uma vida interrompida pela irresponsabilidade deste jovem, filhinho de papai, vagabundo, que para se divertir enche a cara de whisky, e sai por ai a matar pessoas, e os filhos desta senhora? Ela também era filha, de um pai e uma mãe que a amavam demais, agora fica a dor da perda a machucar o coração dos familiares e amigos, esse espinho pontiagudo que penetra na alma, provocando aquela dor incurável.
Sei que este texto não traz a vida dela de volta, mas é um desabafo, porque fiquei revoltado com a situação, me imaginando no lugar da família, e os jornais daqui sequer noticiaram o fato, nem o tão falado "Jornal do Magdalena", será porque este jovem faz parte de família de grande poder aquisitivo, ou será que a polícia militar, colocou panos quentes, pra "abafar" o fato? Cadê a lei seca? Este jovem deveria estar atrás das grades, PAGANDO PELO CRIME QUE COMETEU, agora continua solto, e gozando da liberdade. Quantos mortes já tivemos e nada foi feito? Quantas famílias precisarão chorar e sofrer, para acontecer mudanças e justiça? Ou vão esperar alguém fazer justiça com as próprias mãos.

"a justiça não é cega, ela é corrompida pela moeda"