terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O CAMPINHO por Dé (mc e compositor do grupo de RAP Mentes Urbanas DCI)

Mais uma noite chegou, trazendo sua beleza única, colocando um fim momentâneo na alegria daqueles moleques. Meninos que logo ao amanhecer, após tomarem o café da manhã, alguns não comiam nada, resultado da ansiedade em chegar primeiro, corriam desesperadamente para aquele "campinho", pareciam que eram "programados".
Chegavam, e em menos de cinco minutos, já estavam os times formados e eles divertindo-se jogando futebol.
Passavam horas e horas naquele "campinho" de terra batida, cercado de mato por todos os lados, ao fundo a horta do seu "Sisso".
Podia chover, fazer sol de rachar mamona, que os garotos não abandonavam aquela fonte de imensa alegria e satisfação, parecia que os seus pés tinham camadas protetoras contra a terra quente, quantas chuvas fortíssimas, chuvas de terra, eles enfrentavam para podre continuar o jogo.
Poucos metros abaixo, o "campão", ou o "campo do Bar do Rafael", como era conhecido, campo muito grande, gramado, onde se enfrentavam vários marmanjos, e só gente grande podia jogar ali, exceto alguns menores de muita habilidade que eram escalados de vez em quando.
Mesmo assim, era o "campinho" que atraia o encanto da molecada, parecia que ali o tempo parava, os relógios, as horas, para nós não existiam, era demais poder jogar futebol o dia inteiro, e no fim da tarde, ver ao longe o sol deitando-se na região da usina Zanin, com seus braços abertos para nós.
Só deixávamos de jogar quando a bola sumia no mato, ou não conseguíamos encontrar a bola na horta do seu "Sisso", devido à escuridão da noite, enfeitada pelas estrelas.
Muitas vezes com a ocasião do empate, como não gostávamos de deixar para depois, decidíamos a partida sob a luz da lua cheia, que servia como refletor.
Durante os fins de semana, aquele pedaço de terra batita lotava, os "marmanjos" muitas vezes migravam para o "campinho". Nesses dias, perdida a primeira partida, muitos abandonavam, e ficavam só assistindo, pois a chance de jogar de novo antes do anoitecer era pequena.
A bronca geral era do dono da "mercearia do gaúcho", que tinha as paredes do mercadinho bombardeadas belos chutes fortíssimos dos moleques. As nossas mães também ficavam loucas, iradas com a cor de nossas roupas, parecíamos todos uns tatus. Era comum chegar em casa e ouvir:

- " Vá se lavar no tanque antes de ir tomar banho".

Nós, a molecada da época cuidávamos do "campinho" como se fosse partes integrantes de nossos corpos, se quisessem nos ferir, era só falar que um dia o "campinho" seria destruído, para nós ele tinha vida, e era considerado imortal.
Mas um dia tudo acabou, Jailton, bem mais velho que nós, mas que também compartilhava do "campinho", comprou o terreno e construiu sua casa ali.
Chegara ao fim mais de dez anos (1991 a 2002) de alegrias, emoções fortes, três gerações de garotos que ali se divertiam e na inocência de criança, acharam que duraria para sempre.
Para muitas pessoas, isso é uma grande bobagem, mas quando criança, o que se faz e recebe de bom ou ruim, leva-se por muito tempo na caminhada da vida.
Daria para escrever um pequeno livro sobre o "campinho", mas não sei se conseguiria tal feito, talvez mais pra frente, escreva algum conto, texto, etc, para deixar eternizado nas páginas, as brigas, as confusões dos meninos, os campeonatos, os clássicos, os times que marcaram ("time do Boinha", "time do Dé", "time do Marquinhos").
Escrevi este pequeno texto para relembrar a parte mais marcante da minha infância, e da maioria da molecada da nossa época, para dizer que hoje em dia é raridade encontrar um “campinho’ de futebol nas áreas urbanas, e a molecada de hoje está tendo a infância encurtada e poluída por vídeos games, orkut e MSN”.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O RIBEIRINHO por Mauro Moysés

Certo dia, assistindo um documentário em um canal de televisão vi alguns garotos jogando futebol em uma vila ribeirinha do rio amazonas. O interessante que a bola era feita de uma meia de pé, toda preenchida de retalhos de tecido. Minha mente começou a relembrar minha época de criança quando havia passado  semelhantes atos,  diferenciando que meu local provendo de uma rua toda cheia de buracos, onde os resíduos da pia ou da vasta como se dizia na ocasião onde corria em céu aberto, dividindo espaços com baratas, escorpiões, ratos e vários tipos de animais peçonhentos como eu vi naquele lugar ribeirinho. Crianças de pés no chão, nariz escorrendo, roupas rasgadas, nada diferente da minha geração.
__ Agora você se pergunta?
__ O que eu tenho com isso?
__ Você nada!
__ Mais nossas autoridades sim!
Comenta-se muito que nosso país melhorou. Mais como se nesse dia presenciei tudo que passei há mais de quarenta anos atrás, o mesmo problema de pobreza em uma miséria total dos meninos, isto no porte físico e a questão alimentar e psicológica.
Daí eu penso, o que esses filhos da puta fazem com o nosso dinheiro? Com certeza devem estar enfiando todinho no rabo dos seus parentes mais próximos. Enquanto essas crianças e outras improvisam para alimentar seus desejos, que essa mídia desgraçada enfia na cabeça desses inocentes, instalando antenas parabólicas pra que vejam a beleza do sul e sudeste e o outro país vai comendo merda todos os dias.
Então essa porra de país não mudou nada, continua a mesma droga. O Sudeste e o Sul olham apenas o seu rabo, mais não olham para as demais regiões que vão perdendo a cada instante parte de seus rabos.
Hoje fazem festa porque vão sediar as olimpíadas.
__ Para quem?
__ Para o pessoal do norte ou do nordeste e até mesmo do centro oeste?
Vão todos vocês DEPUTADOS e SENADORES tomar no ânus, pois são eles que liberam nossa grana para estas façanhas. Porra, cassete, enfiam sua olimpíadas no pé do rabo.
Não se iludam, olhem para o outro lado do país não mudou nada. Ainda somos aquele misero país de quarenta anos atrás, só esses canalhas vêem um país maravilhoso.

UM NOVO MEIO DE EXCLUSÃO por Nayara Cristina (Comunidade dos Excluídos)

A cada dia que se passa o mundo se torna mais tecnológico, mas em contra posição essa tecnologia não facilita a vida (somente de alguns), ela exclui, pois atualmente para se obter um emprego é preciso saber lidar com o computador. É lógico que para algumas funções não é exigido esse tipo de conhecimento, mas são funções muitas vezes mal remuneradas, também as exclusões de conhecimento, pois a Internet é um meio de conhecimento ilimitado e rápido, mas na escola quando alegamos não ter acesso, alguns professores dizem que os que não tem acesso devem ir à biblioteca municipal, mas não é tão simples uma vez que na escola há alunos do Parque São Paulo e de outros bairros periféricos. Esse ano no "Jornal Hoje" da rede Globo, foi anunciado que os estudantes que pesquisam em livros nas bibliotecas possuem nota maiores aos que pesquisam na Internet, sob alegação de plágio que não os ajudam à aprender, mas da mesma forma que alguns alunos copiam da Internet, podem copiar dos livros e não aprenderem nada do mesmo jeito. Só disseram isso na televisão para mascarar mais uma injustiça social feito contra a classe trabalhadora.

QUERIA FALAR DE AMOR! por Maurício Moysés (mc e compositor do grupo de RAP Mentes Urbanas DCI)

"Não quero morrer, sem ter chorado por um amor".
Artista desconhecido

O amor é um sentimento complicado, muitas vezes eu observo como um objeto, um negócio, isso mesmo, negócio, produto. No qual compramos nas lojas e parcelamos em 10X no cartão de crédito. Existe uma sensação complicada ao se expressar, tentar compreender algo no qual nos apegamos.
Eu amo aquilo que tenho, não abro mão de decisões, pois sei o que amo me ama também.
Mas do amor vem a gerar o ódio, e ódio já temos em vários motivos pra nos intervir. Não é correto ficarmos submetidos à paixão... Paixão é castigo, cortante, apelativo, seco, carrega-se os alhos da escuridão. Quem ama não é cego, pelo contrário, é cheio de razão. Existe uma emoção no qual se mantém até o fim dos dias (É o que eu observo!!!).
Mas é difícil amar...
Sei lá, quem já amou, será que está correto disso, abstrato demais para o meu conhecimento. Amor é a brasa que alimenta o fogo, não pode apagar, mas é difícil amar...
Entregar-se a emoções é fácil, agir pelo caminho longo e doloroso, sofrido, só que compensativo. Como diz uma música do rapper Dexter – "Só o amor salvará o mundo". PERFEITO!
Amor que tanto espero... Será?
AMAR É SER VERDADEIRO!

SAUDAÇÕES GUERRILHEIROS E GUERRILHEIRAS!!!

Iniciamos aí mais um ano, novos planos várias metas, dejemos a todos que aconpanham a corrria independente um ano de 2010 com 1000 corres pra se realizar. Além de Paz, Amor, Saúde e Respeito!!!

Vamos que vamos pois o manifesto cultural continua a milhares... Forças a todos!!!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Poesia Existencial - POEMETOS por Luis Mendes

“A morte não iguala ninguém, há caveiras que têm todos os dentes.”

Mario Quintana

I
As palavras ferem levemente
Muito de leve
Em horas distraídas de vida
Em que a alma atônita
Vaga perdida.

II

Tua ausência esta no ar
No abrir de portas e janelas
No que tenho de fechar os olhos
Para te ver.

III

A prisão é um mundo estilhaçado
De homens quebrados
Corações abandonados
Que se inscreveram em pedra
Como túmulos.

IV

Matei meu olhar
Para não mais ver
O que não possa amar.

V

A dor, inteira como pedra
Ao tempo que sólida
Como uma mão fechada.

VI

Meus naufrágios trazem à tona
Mares montantes onde tentei equilibrar
Mesmo que amarrado a mastros e gáveas
Para tomar todo céu que me faltava
E continuar minha rude existência

VII
Nunca houve bons tempos
Todos os tempos são únicos e iguais
Ao mesmo tempo.

VIII

De repente tudo era cenário
E não se via mais nada
Nem palco, nem salão, nem escuridão
Tudo era representação.

IX

No fluxo de sua vida desordenada
Caótica, subversiva por vezes
O homem é o instante
Onde a vida, em vão
Se ilumina.

X

Futuros são curtos
Desaparecem
Deixam apenas o interminável presente
Sem surpresas, numa sucessão de dias
Que se emendam.

15/12/2009.

PONTO PHINAL por GOG



Pediu Perdão Pelo Painel, Povo Perdoou! Perseguiu Perueiros, Placas Publicitárias, Pavor!
Pego Pela PF-Pandora Pegando Propina... Protelou!
Podridão Propagou, Pelos Poros Pipocou
Proporções Profundas, Prece Pós-Paulada
Parlamentares Pouco Prudentes Povoando Paletó Processados, Pega!
Panorama Prova Porque Precisamos Parar Pra Pensar,
Pensar Pra Por Pessoas Possuindo Poder!
Principal Periódico Provoca: Proclama... Psiu!
Para! Proibido Proibir! Proibido Proibir!
Posso Prosseguir? Pode!
Posso Prosseguir? Podemos!
Plano Piloto, Planaltina, Paranoá, Pedregal,
Professoras, Pedagogos, Psicólogos, Passadeiras,
Porteiros, Palmarinos, Pais, Pedestres, Pioneiros,
População Perplexa Pergunta! Porque Panetone?
Poderiam Pedir Pernil, Presunto, Peru,
Passas, Pavê, Pudins, Patê, Presentes,
Passagem Prazerosa, Pro Povo Preto, Pobre, Periférico
Pavimentação Pública, Paradas, Pontes, Pistas, Postes, Passam!
Paparicado, Patrocinado Por Peculato, Porcentagens, Pagamentos,
Picadeiro Prosperou... Pandemia!
Protegidos Por Padroeiras, Pactos, Pistolas, Patolas, Procuradores, Padrinhos
Pistolões Promulgaram PDL’s, PDOT
Plantel Possui Palácios Pomposos, Pratarias, Parabólicas,
Passaportes, Pingentes Preciosos, Pisos Parquê!
Promovem Passeios Paisagísticos, Pares Perfeitos,
Patrocinam Pileques, Pescarias Picantes, Prefeitos
Posso Prosseguir? Pode!
Posso Prosseguir? Podemos!
Professor Pastinha! Patativa, Poeta Prosador:
Pelas Palafitas, Palhoças, Persistem Penúria,
Pindaíba, Penumbra, Precariedade
Pernilongos, Percevejos, Perambulando Pelas Paredes Picam Pessoas
Pediatras Presenciam Pupilos, Pimpolhos,
Pirralhos, Prematuros, Perdendo Peso!
Pálpebras Pálidas, Pulsos Palpitantes,
Pupilas Piscando... Pobreza Polui? Pobreza Polui?
Posso prosseguir?! – Pode!
Posso prosseguir?! – Pode!
Possuo Palpite, Particular, Pessoal Polêmico.
Punição Pros Patifes?
Pena Pro PO? pArruda?
Pega Palmatória! Pega Palmatória!

HIPHOPISUMEMO!!!!

Para entes que acreditam que o HIP-HOP vai mais além do que um som!!!!


PRA QUEM AMA POESIA!

Acessem o blog do nosso parceiro Rodrigo, a luta pela inspiração poética aqui em Aracoara vai muito além de outras viagens.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Marcha MST em Araraquara, quinta-feira 10/12



O MST (Movimento dos trabalhadores sem Terra), em conjunto com PSOL, PSTU, MTST, FORUM DE MOBILIZAÇÃO SOCIALISTA e diversos grupos populares da região de Araraquara, estão convocando todos os lutadores sociais para participar da "MARCHA DO MST ATE A CUTRALE", que sera realizada em Araraquara nesta quita-feira (10). Esta atividade faz parte da agenda nacional do MST por TERRA para morar, trabalhar e produzir, ALIMENTOS variados, livres de agrotóxicos, frescos e baratos e TRABALHO bem pago, com carteira assinada e segurança


Vamos todos somar nesta luta.

Abaixo segue um artigo da Silvana Beatriz Adoue, professora da ENFF (Escola Nacional Florestan Fernandes) e da Unesp/Araraquara.

Concentração: Praça Santa Cruz (centro de Araraquara)
Horário: 9h30
Marcha: saida às 10h00


OS VÂNDALOS JÁ ESTÃO AQUI por Silvia Beatriz Adoue (professora da ENFF - Escola Nacional Florestan Fernandes e da Unesp/Araraquara).


Em setembro deste ano, no município de Iaras, trabalhadores rurais sem terra ousaram ocupar terras públicas apropriadas por uma grande empresa privada, a Cutrale, que controla 30% do mercado mundial de suco de laranja. Os sem terra limparam uma parte do terreno para fazer um roçado de feijão. Por isso foram acusados de vandalismo.
Mas, quem eram os vândalos? Aquele povo germânico apoiou as revoltas de escravos que trabalhavam nos latifúndios do Império Romano, quando quase todos os povos germânicos que viviam nas fronteiras da Roma imperial serviam de tropa mercenária para esmagar os anti-escravistas. Por essa ousadia, hoje, vandalismo é sinônimo de ação destrutiva e irracional, de violência descontrolada.
É muito curiosa a história das palavras. Elas envelhecem conservando, nas rugas que os acontecimentos deixaram marcadas na sua pele, significados ocultos, insuspeitados pelos seus portadores do presente. Eis que a palavra, que na boca dos que a pronunciam pretende ser insulto, recupera hoje algo do seu sentido original.
Bem no coração de Iaras, a Escola Popular Rosa Luxemburgo cresce no meio aos assentamentos. Um biodigestor em construção e uma horta em forma de mandala são sala de aula para que os futuros agrônomos aprendam a produzir uma variedade de cultivos com técnicas que dispensam agrotóxicos, imprescindíveis na produção em grande escala de um cultivo só.
Na beira da estrada centos de famílias acampadas acenam para os passantes e para o porvir em que possam proteger essa terra do estrago do monocultivo, para que ela seja morada e fonte de alimentos para suas famílias e para todos os brasileiros.
Estes novos vândalos não precisam de intérpretes e nem de porta-vozes. Nesta quinta-feira, eles vêm para Araraquara explicar suas razões para cometer a ousadia de se opor aos romanos de hoje.

"Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo." Karl Marx