sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Sobre os bons policiais por Mandi


                           “E quem pacifica a polícia?” - dizia um cartaz que li dia desses. Não sei. Não sei, pois não há diálogo entre quem porta uma arma versus quem tem somente a própria boca (ou a maioria das bocas do mundo!).
                        Também me pergunto, como uma das músicas da Frente 3 de Fevereiro, “quem policia a polícia?”. Mas dessa, eu sei a resposta: todas e todos nós. E, se considerarmos que o mundo se divide entre dominante versus dominado; oprimido versus opressor; quem manda versus quem obedece; quem tem dinheiro versus quem não tem... Podemos dizer que há duas versões sobre a atuação policial. Em qual você acredita?
                        Em nenhum momento que a Globo, a revista Veja (a mesma coisa, né?!) ou Estado defendem a polícia, o estão fazendo sem algum interesse. Para a grande mídia (que são empresas), para as grandes empresas (que patrocinam a grande mídia), para o Estado (que facilita a vida de grandes empresas) e para empresários (que mandam no Estado), é fundamental fazer com que todo mundo acredite que o policial é o herói, o mocinho que nos salva de todo mau, o que não é mentira. Para eles. Os dominantes. Para os que têm dinheiro e propriedades a serem defendidas (e vendidas e compradas e leiloadas).
                        Já diria Facção Central: Isso aqui é uma guerra. E, além disso, também nos diria que na guerra, o mais inocente é o favelado de fuzil russo. Isso porque, enquanto eu escrevo esse texto (e você lê!), milhares de moleques pegam em seus primeiros revolveres, enquanto ninguém vê. Enquanto ninguém quer saber se o moleque já comeu, mas se a lei permite que ele seja preso. Enquanto tudo que importa, é ver o bom policial expulsando mais uma família sem teto (que é a família do menino...) dum predio qualquer. A polícia que eu conheço defende a propriedade, não o ser humano.
                        A polícia que eu vejo é a que está em guerra, todo dia, contra o povo pobre dos bairros não nobres e periferias. A polícia que eu conheço é a vilã. Que enquadra todo pobre que ousa pensar que é livre para andar nas ruas. A polícia que conheço tem o “suspeito padrão”, o ser humano que será perseguido desde que nasceu. A polícia que conheço é racista.
                        De onde venho, a polícia me faz engolir bandeira e faixa, se resolvo agir, me manifestar ou fazer parte de movimento social. A polícia bate em 100, 200, 500, se resolvemos abrir a boca, se cansamos dos enquadros, do racismo... Da fome, da falta de emprego, da falta de perspectiva, da falta de casa pra morar. A polícia que conheço taca bomba de gás e bala de borracha em manifestante que, na falta de tudo, tem esperança de sobra. A polícia que conheço não é povo.
                        Se a televisão me diz que a polícia protegeu a esposa do empresário de ser assaltada, eu digo pra televisão (eu falo sozinha), que nos bairros escuros, aqui de baixo, o policial estupra a mulher, estupra a menina. Elas não são nem a esposa nem a filha do empresário. Aqui em baixo a polícia é o demônio, personagem central nesse inferno.
                        Até quando fecharemos nossos olhos? Até quando o inimigo nos convencerá?

Fora polícia! Dos bairros, favelas, escolas e vidas!

(Texto dedicado a todas as pessoas mortas pela polícia – que são muitas! - em especial às dos últimos dias, em que a chacina pulsa diante de nossos olhos)

O que será desse país? por Hugo Miura Akashadiipa (Campinas-SP)


O que será desse país?
que aprisiona crianças dentro das escolas
muitas vezes sem professor
7 salas de aula sem ninguém pra lecionar na parte de manhã
aula vaga a cada duas horas
quem é que quer ficar numa dessas escolas?
E quem move uma palha pra fazer algo contra isso?
Contra essa condição precária
do aluno e do professor
que será desse país?

*

Enquanto isso
alguns letrados em sua torre de marfim na academia
hipnotizados pela letargia
se perdem no meio de palavras e verborragia
teorias vazias
com o poder de encher a mente
e esvaziar o coração
esquecem assim que tão no meio de uma guerra e dentro de uma prisão

*

Que será desse país?
Ladrões de colarinho e carro importado
espalhados pelas câmaras e bancadas urbanas e ruralistas
seu trabalho é tramar mais uma empreitada
que vai deixar milhões de pais de família desempregados
sem terra pra plantar
mulheres em sua jornada tripla trabalhando noite e dia
pra bancar o pão amanhecido
criança na rua
sem acesso à cultura,
nem sabe mais o que é brincar porque trabalha feito escravo
nem referência pra crescer e se desenvolver de forma saudável
jovens e velhos caducam dentro de suas casas
entrando no mundo da televisão e da virtualidade
adotando o discurso da grande mídia
mantendo preconceitos medievais que só servem pra manter a situação

*

Tá na hora de acordar
que a casa tá pegando fogo
olhos abertos
percepção aguçada
planeta Terra chamando
clamando por libertação
de mentes, de sonhos e da imaginação
do mundo que queremos
palavra-ação desse sonho sendo feito no presente
suor e resistência,
trabalho e rebeldia,
amor e dignidade
são algumas de nossas armas nessa luta.

Guerrilha DCI (in)dica:

Livro:

Te pego lá fora (Edições Toró, 2006) do poeta e professor Rodrigo Ciríaco



Filme:

As tartarugas também voam (Drama - Irá, 2004) com direção de Bahman Ghobadi




Música:

Tarja Preta “Álbum Duplo” (Só Balanço, 2004) do rapper G.O.G.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Relembrar não é somente viver...

Relembrar não é somente viver, mas sim necessário para que as marcas do passado fiquem na memória ou transitem de forma errada por meios que não condiz com a verdade... A um dia de se "comemorar" a consciência do negro no Brasil é necessário analisar com atenção todos os dias e si e não um em espacial, amanhã simboliza a morte de um símbolo para toda uma geração, Zumbi do Quilombo de Palmares na Serra da Barriga hoje União de Palmares no estado de Alagoas, mas se faz necessário viver 1695 a todo instante e muitos antes, pois os capitães do mato estão soltos por aê, muitos Domingos Jorge Velho estão incorporados na sociedade contemporânea e agem como corruptos mercenários fardados ou engravatados...
Reflita e procure agir, questione, interrogue o papel e a influencia que a mídia faz na contextualização histórica do negro no Brasil em elementos que passam por despercebidos no cotidiano, assim como em jornais, revistas, sites e na programação da TV, enraíza-se assim a busca por uma identidade em que muitos de nós ainda não sabemos quem somos e quais são as nossas origens. O nosso ser vale muito mais do que a cor de nossa pele.

Abaixo cenas do filme “Amistad” (1997) com narrativa do poema “Navio negreiro” (1868) de Castro Alves, na voz de Paulo Autran.


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O poder do furacão é produzido pela mídia...

Passagem do furacão Sandy por Cuba

As autoridades estadunidenses estão em choque com a passagem do tão esperado furacão Sandy, inclusive o mundo também, com o bombardeiro televisivo que compara os desastres com o atendado as Torres Gêmeas o povo está em estado de calamidade. Até parece que a Sandy passou só por lá, antes os irmãos latinos cubanos, haitianos, jamaicanos também sofreram e ainda sofrem ou melhor sofrerão muito com as conseqüências catastróficas causada pelo furacão, enquanto nesses países se fala em uma gota de esperança pela reconstrução de suas edificações e reconstrução da própria vida, lá na gringa nos USA todos estão apavorados, será que é só em New Yorque que que houve destruição... O poder do furacão vai além das interações entre as massas de ar quente e frio na costa oceânica, ele é também produzido pela mídia que faz com que pensamos que só existe uma ocasião, puro sensacionalismo vendendo o sangue e propagando o terror como bem sabem fazer... Ninguém pode alterar as dinâmicas naturais, furações sempre existiram, mas hoje com a mídia é muito mais sensacionalismo banal do que um evento proporcionado pela natureza.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

“Águas da Cabaça” é o novo livro de Elizandra Souza


Projeto literário envolve sete mulheres negras


“Águas da Cabaça” é o novo livro da poetisa Elizandra Souza. Com ilustrações de Salamanda Gonçalves e Renata Felinto, a obra faz parte do projeto ‘Mjiba – Jovens Mulheres Negras em Ação’ e reúne textos de sete mulheres negras em diferentes protagonismos.
“E é nessa cabaça que ela traz sonhos, esperanças e água/vida. Água essa que limpa e leva tudo que não for bom embora. A água que rompe barragens, faz nascer rios, corre para o mar e vira imensidão, o imensurável”, assim diz Mel Adún, em um trecho do prefácio da obra, que ao longo das mais de 130 páginas, faz o leitor deparar-se com a alma pulsante da poesia negra e encanta-se com o concretismo de algumas poesias e com a graça das ilustrações em sincronismo com as letras.
O lançamento acontece na próxima sexta-feira (26) na Ação Educativa na região central de São Paulo (SP) e traz como convidadas a Dj Vivian Marques, que embala a noite poética nas pick-ups. Os convidados contam ainda com o pocket show da cantora Lívia Cruz e apresentação do Ballet Afro Koteban.
O livro é a segunda ação do projeto que foi contemplado pelo VAI-– Valorização de Iniciativas Culturais 2012, da Secretaria de Cultura do Municipal de São Paulo.
Serviço
Lançamento “Águas da Cabaça”
Quando: 26 de outubro (sexta-feira) das 19h às 22h
Onde: Ação Educativa
Endereço: Rua General Jardim, 660, Vila Buarque (próximo ao metrô Santa Cecília)
Ingresso: Gratuito
Informações: (11) 3151-2333 (ramal 142) ou 98251-4024
Sobre as participantes da obra
ELIZANDRA SOUZA (MJIBA)
Nasceu em 03 de julho de 1983, no Jardim Iporanga, na periferia da Zona Sul de São Paulo. Aos dois anos de idade foi morar na cidade dos seus pais, Nova Soure, Bahia, na qual permaneceu por 11 anos. Retornou a capital paulista em 1996 e nesse mesmo ano conheceu a cultura hip-hop. Editora do Fanzine Mjiba (2001- 2005). Poeta da Cooperifa desde 2004. Publicou o livro de poesias Punga, co-autoria de Akins Kintê, pela Edições Toró, 2007. Participou das antologias Cadernos Negros, Sarau Elo da Corrente, Negrafias e colaborou em outras publicações. Formada em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo pelo Mackenzie. Atualmente é editora e jornalista responsável da Agenda Cultural da Periferia – Ação Educativa.
PARTEIRASSALAMANDA GONÇALVES
Ilustradora e designer, formada pela UNIFACS- BA, atua na área há 10 anos e responde pela produção gráfica da Mandingas Comunicação.
RENATA FELINTO
Bacharel em Artes plásticas, Mestre e Doutoranda em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP/ SP. É artista plástica, educadora e pesquisadora.
NINA VIEIRA
Artista gráfica, arte-educadora e fotógrafa. Desenvolve projetos de identidade visual, concepção de exposições e design editorial. Estudou Design Gráfico, Desenho de Moda e Vestuário.
MEL ADÚN
Jornalista e especialista em roteiro para tevê e vídeo, fotógrafa e escritora. Fundadora e idealizadora do programa de webtvTobossis Virando a Mesa – feito por e para mulheres negras.
PRISCILA PRETA
Atriz, dançarina e poeta. Como acredita na circularidade é artista educadora. Sua criatividade respira e transpira na CapulanasCia de Arte Negra e Umoja.
CARMEN FAUSTINO
Professora de Língua Portuguesa e arte-educadora em projetos sociais. É uma das organizadoras do Sarau da Casa que acontece em escolas públicas de Embu das Artes.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Frase


“O homem se apodera e se coloca a frente das máquinas para realizar a guerra, quantas vidas inocentes são destruídas por essa ambição, em que o mal impera”.
 MC Maurício (Mentes Urbanas DCI)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

# ALERTA GERAL VINDO DA FAVELA DO MOINHO NESSE MOMENTO - 20/09/2012, 20:15hs:



AÍ, MILTON SALES ACABA DE AVISAR:

ESTÃO JOGANDO BOMBA E REPRIMINDO PESADO A FAVELA DO MOINHO NESSE INSTANTE. BOMBAS DE GÁS, ENQUADROS VIOLENTOS, PESSOAS FERIDAS.

A GUARDA CIVIL METROPOLITANA E OUTRAS POLÍCIAS ESTÃO PARTINDO PARA CIMA DOS MORADORES, QUE JÁ FORAM VITIMADOS E DESALOJADOS POR 2 INCÊNDIOS CONSECUTIVOS EM MENOS DE 1 ANO, ESTÃO NA RUA, E NÃO ESTÃO PODENDO RECONSTRUIR SEUS BARRACOS E SUAS VIDAS.

AÍ: NÓS DO MÃES DE MAIO CONVOCAMOS A TOD@S VERDADEIR@S A SOMAR COM A FAVELA, A FORTALECER, A DENUNCIAR. MILITANTES, JORNALISTAS, DEFENSORES DE DIREITOS HUMANOS, JURISTAS, ARTISTAS COMPROMETIDOS ETC.

CLAMAMOS TAMBÉM À FAMÍLIA RACIONAIS MCs E TODO MOVIMENTO HIP-HOP ORGANIZADO, QUE INCLUSIVE VAI PARTICIPAR DE ATIVIDADE PÚBLICA HOJE, A REFORÇAR ESSE ALERTA GERAL DE ATENÇÃO E SOLIDARIEDADE AOS MORADORES E MORADORAS DA FAVELA DO MOINHO.

A COMUNIDADE E ÀS CENTENAS DE FAMÍLIA TEM DIREITO AO TETO, À ASSISTÊNCIA E DIGNIDADE ASSEGURADOS PELA CONSTITUIÇÃO.

CONVOCAMOS A TOD@S VERDADEIR@S A CHEGAREM NA FAVELA, MONITORAREM TODO E QUALQUER ABUSO E VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS, DENUNCIAR E FORTALECER A RECONSTRUÇÃO DA COMUNIDADE.

TELEFONE DO MILTON SALES: 11-95130-8202

terça-feira, 11 de setembro de 2012

11 DE SETEMBRO, UMA DATA A SER ESQUECIDA OU SEMPRE LEMBRADA!


11 DE SETEMBRO DE 1973 INÍCIO DA DITADURA NO CHILE...


Regime Militar é o período da História do Chile compreendido desde o dia 11 de setembro de 1973, quando os comandantes em chefe das Forças Armadas e o general diretor de Carabineiros do Chile deram um golpe de Estado e depuseram o governo do presidente Salvador Allende, até o 11 de março de 1990, quando Augusto Pinochet entregou o poder ao presidente eleito nas eleições, efetuadas no o Chile sofreu uma importante transformação econômica, política e social, para a vez que se cometeram sistemáticas violações aos direitos humanos. Politicamente, o regime se caracterizou por um modelo autoritário de governo.


Texto: Wikipedia